domingo, 27 de março de 2011

E agora Brasil??

O que esperar da Seleção Brasileira? De fato uma incógnita. Uma Copa do mundo jogada em casa, é um fardo, responsabilidade grande demais. Depois do fracasso de 2006, da farra do boi comandada por Ronaldo, Ronaldinho e Adriano, permitida por Carlos Alberto Parreira, se exigiu disciplina, volta do patriotismo, amor a amarelinha, o retorno do “zagalismo” se assim posso dizer.
 Para resolver a questão, Dunga foi convocado com plenos poderes para satisfazer tal aclamação. Para tanto, o mesmo engessou a seleção transformou seus jogadores em soldados, ou melhor, em guerreiros, com apoio de toda a mídia, diga-se de passagem. Com Dunga o Brasil perdeu a magia, perdeu a criatividade, perdeu o drible, características marcantes de nosso futebol, porém a seleção tinha um padrão de jogo, voltado aos contra-ataques. Disparado, o melhor sistema defensivo do mundo, com o fantástico Júlio Cesar, Lucio e Juan no miolo de zaga, com Maicon e o contestado Michel Bastos na lateral, além dos cães de guarda Gilberto Silva e Felipe Melo, esse o último o grande vilão da geração.

Sob a tutela de Dunga vencemos grandes adversários, a Argentina, nossa maior rival se tornou nossa maior freguesa, vencemos uma Copa América com time reserva e recentemente nas eliminatórias, batemos os Hermanos no caldeirão fervente de Rosário. Porém, o desastre aconteceu, fomos eliminados novamente nas quartas-de-final da Copa do Mundo, agora pela Holanda, em um jogo atípico em que a Seleção dominou amplamente o primeiro tempo deixando 1x0 no placar, entretanto com dois lances esporádicos a Holanda virou o placar. O conto de fadas de Dunga desmoronou, a imprensa que o aclamou se voltou contra o técnico e algumas convicções dadas como verdades a 4 anos pós o fracasso de 2006 desmoronaram também, o técnico covardemente foi demitido pelo telefone.
A imprensa, nada parcial começou uma campanha pela volta do futebol arte, colocando os novos Meninos da Vila (Neymar e Paulo Henrique Ganso), como principais baluartes. E o escolhido para comandar essa revolução foi o ex-técnico do Corinthians e Grêmio, Mano Menezes. Que apesar de adepto do 4-3-3, seus times eram caracterizados por uma segurança defensiva do que um ataque atraente.

Jogadores sem a mínima condição de defender o Brasil, foram chamados: Jeferson, Neto, Jucilei, Elias, Mariano,  Leandro Damião, entre outros bondes. Sendo que coincidentemente alguns desses jogadores pertencem ao empresário Carlos Leite, mera coincidência.
A primeira convocação de Mano, revelou a tendência, um time jovem e super-ofensivo enfrentou os EUA no Gillete Stadium: Vitor, Daniel Alves, David Luiz, Thiago Silva e Marcelo; Lucas e Ramires; Neymar, Ganso, Robinho e Alexandre Pato. Certamente, um time faceiro, atraente, mas tenho minhas dúvidas se esses jogadores se acuados por um adversário mais gabaritado segurarão o rojão. Acho que os recentes amistosos contra Argentina e França responderam a essa questão, duas derrotas por 1x0. Toda volúpia demonstrada por esses jovens jogadores foi neutralizada. Um lance em que Neymar tenta partir pra cima de Cambiasso, Burdisso e Coloccini e obviamente é transformado em patê pelos argentinos exemplifica o que digo. Os garotos ainda não estão prontos para uma Copa do Mundo.

Temos deficiências claras em todos os setores do campo, Dani Alves e Marcelo apesar de atualmente serem considerados os melhores do mundo,  por belas atuações em seus clubes, juntos criam um problema, ambos são ofensivos demais se enfrentarmos uma Holanda, com dois pontas bem abertos, teremos problemas.  Na cabeça de área, os bons Ramires e Lucas sempre atuam no futebol inglês onde as duas linhas de quatro são corriqueiras, Lucas atua no miolo do Liverpool, cumpre a mesma função no Brasil, porém o mesmo não vive boa fase, o que pode ser um problema para seleção e Ramires no Chelsea atua fazendo o lado direito do Losango que é o meio de campo blue, no Brasil o mesmo fica preso à cabeça de área com estocadas esporádicas ao ataque.
Na camisa 10 nossos dois melhores meias estão voltando de sérias lesões, Ganso se recupera de uma contusão  nos ligamentos do joelho, acredito que o mesmo supere esse momento difícil, mas as recentes atuações no Santos dizem o contrário, enquanto Kaká, bem esse a situação é mais difícil nas últimas temporadas o melhor jogador do mundo da temporada 2007/2008, vem sucessivamente contraindo contusões de naturezas distintas, na última Copa o jogador jogou claramente sob efeito de infiltrações, meia-bala, e com certeza tal expediente fará um mal irreparável para sua carreira. E por fim o maior problema, a camisa 9. Nos últimos 20/30 anos criamos atacantes fantásticos: Careca, Romário, Ronaldo e sim Luis Fabiano. Atualmente existe um vácuo, aquele com mais potencial, Alexandre Pato é extremamente irregular; outra opção, Hulk é uma incógnita, o atacante do Porto tem potencial para ser uma nova versão do Imperador, o atacante tem a mesma força, mas não tem o mesmo talento. Outros como André, Jonas, Diego Tardelli e Leandro Damião já se mostraram fraquíssimos para a seleção. O jeito é rezar para aparecer um nome de qualidade.
Ou seja, o cenário para 2014 é bem mais nebuloso do que se pinta, nossa seleção está muito distante de Alemanha, Espanha, Itália e Argentina.
Como diria Adilson Batista: Vamos Aguardar.
 Ass. Matheus Valle

domingo, 20 de março de 2011

Futebol Musical - A Fase Final da UEFA CHAMPIONS LEAGUE


Na última sexta-feira foi realizado o sorteio das quartas-de-final da UCL e o emparelhamento para as fases seguintes: Tottenham e Real Madrid; Shacktar e Barcelona de um lado; Chelsea e Manchester United; Inter e Schalke 04 do outro lado. Nesse post, me permitirei realizar uma análise diferente,  um tanto quanto espirituosa se assim posso dizer. Cada um dos clubes classificados será comparado a uma canção que resume sua jornada, seu atleta destaque ou o que é preciso para chegar ao título.
Confesso que a inspiração dessa brincadeira foi um post muito criativo do Paulo Antunes dos canais ESPN, referente às franquias qualificadas nos playoffs da NFL.
Que os jogos comecem!!
Schalke 04 – Who Wants to Live Forever – Queen.  Além de uma referência musical, uma referência cinematográfica, música eternizada pelo filme Highlander, o guerreiro imortal. A música em questão foi escolhida por conta do comandante do ataque Azul Real, o espanhol Raul . O atacante,  bandeira  do Real Madrid e bandeira do futebol hispânico é o maior artilheiro de todas as competições europeias com 71 gols marcados e estrela solitária do limitado time alemão montado pelo técnico Félix Magath, recentemente demitido. Dado como morto para o futebol, dispensado pelo Real Madrid, o atacante guiou a equipe alemã na fase de grupos bem como nas oitavas nos confrontos contra o Valência.  Assim como a música e como o personagem do filme, Raul  mostrou  pode até estar mais velho, mas sua qualidade continua imortal.

Inter de Milão – TNT – AC/DC. Explosão, a tônica do rock da banda Australiana e um resumo desse time comandado pelo técnico Leonardo.  Formado por uma defesa nitroglicerínica, zagueiros Lúcio e Ranocchia; os laterais Maicon e Chivo, e os volantes Thiago Mota, Cambiasso e Muntari, verdadeiros cães de guarda, destruidores por excelência, dão sustentabilidade ao cerebral Sneidjer, o arco que a todo momento está pronto para lançar as flechas Samuel Eto’o e Goran Pandev. Força física é a tônica desse time, franco favorito no confronto contra o Schalke 04.

Chelsea – Money – Pink Floyd. Dinheiro, mas muito dinheiro é o que define esse time azul, há cerca de cinco temporadas desde que o Russo Roman Abramovich adquiriu o clube, o mesmo gastou, milhões de libras com contratações badaladas a fim de conquistar a Europa, na última janela de transferência, essa tônica foi retomada com a contratação do espanhol Fernando Torres,  em que foram gastos cerca de 50 milhões de libras. O time comandado por Carlo Ancelloti, terceiro colocado no campeonato inglês, chega com um meio campo sólido de Essien, Ramires, Lampard e Malouda, quatro jogadores que atacam e defendem com a mesma eficiência e agora com a chegada de Fernando Torres, Didier Drogba terá um companheiro a altura. O confronto contra o United não tem favorito, mas o time azul fará um jogo duríssimo.

Manchester United -  Welcome to The Jungle – Guns and Roses.  Acostumado a decisões, a equipe de Manchester convidará seu adversário a entrar na selva, literalmente.  Alex Fergunson tem experiência de sobras em jogos decisivos, Wayne Rooney vive um momento iluminado, juntamente com o artilheiro Berbatov.  O time vermelho pode até não ser tão brilhante ou tão caro quanto os azuis, mas eles sabem como conquistar um caneco, sabem como vencer as dificuldades, e o estádio de Old Trafford se transforma em um verdadeiro caldeirão nesses momentos. 

Shacktar – Don’t stop Believin – Journey. A música da zebra, literalmente. O  Shacktar é o azarão nesse confronto contra o Barcelona, talvez o mais desequilibrado das oitavas. Acreditar sempre, manter a fé, jogar essas duas partidas como se fossem as últimas da vida do clube e principalmente, trazer um espírito de Libertadores para a Champions League, transformar a Arena de Donetski em um inferno, apesar do frio Ucraniano, caçar Xavi, Villa e Messi, tarefa difícil; e não desperdiçar as raras oportunidades a serem criadas são as chaves para o time laranja. Uma Missão quase impossível.

Barcelona – Pa’ Bailar – Bajo Fondo. Essse técno-tango sintetiza a proposta de jogo do Barcelona, chamam os adversários para o baile, colocam os mesmos na roda, para depois nocauteá-los. Com média de posse de bola de quase 70% por jogo. Os precisos Xavi e Iniesta, o letal Villa e o gênio Lionel Messi, transformam esse time no franco favorito do confronto  da competição pelo futebol desempenhado.

Real Madrid – Ghostbusters – Ray Parker Jr.  Mais uma dobradinha, música e cinema. Música tema do filme de mesmo nome, a canção sinaliza o objetivo do Real Madrid, espantar/caçar seus próprio fantasma, voltar a vencer uma UCL com seu plantel estrelado. Florentino Perez desde a política Galáctica vem colecionando mais fracassos do que sucessos, eliminações sucessivas para times tecnicamente inferiores, vários treinadores demitidos, jogadores contratados a peso de ouro e revendidos a preço de banana foram a tônica dessas últimas temporadas.  Nesse último ano José Mourinho, atual campeão da UCL foi contratado com o peso e a responsabilidade de recolocar os Merengues no trilho. Dentro das quatro linhas a responsabilidade de desequilibrar fica a cargo do português Cristiano Ronaldo, entretanto a base desse time fica a cargo de alguns coadjuvantes: o meia Ozil, os volantes Khedira e Xabi Alonso, bem como o artilheiro Karin Benzema.

Tottenham – Eye of a Tiger – Survivor – Para bater o Real Madrid os ingleses terão que entrar com o espírito vencedor, olhos de Tigre, tão bem sinalizados na música eternizada pelo filme Rocky – um Lutador. Com um time tecnicamente inferior, os homens de Rednapp, assim como os jogadores do Shacktar contra o Barça, terão, se quiserem conseguir algo mais na competição,  de transformar esses confrontos em uma Guerra. Transpiração terá de reinar sobre a inspiração além de uma obediência tática digna de batalhões do exército, são as chaves para o sucesso da zebra londrina.
ass. Matheus Valle 

domingo, 13 de março de 2011

Borussia Dortmund - o despertar de um Gigante

1º de Dezembro de 1997, atleticano que sou vivia naquele dia um pesadelo. O Cruzeiro – nosso rival – após ganhar a Taça Libertadores disputava naquele dia o título Intercontinental contra o Borussia Dortmund, campeão da UEFA Champions League. Admito que há época não conhecia o futebol como conheço hoje, mas por razões óbvias, acabei simpatizando pelo time alemão. Por um dia adotei o amarelo e preto como minhas cores, lia e repetia aqueles nomes difíceis que não me diziam nada, não me faziam sentido nenhum, mas torci por cada um deles, desde o seguro goleiro Stefan Klos até o bom centro-avante Chapuisat. Como todos sabemos, os alemães não me decepcionaram, venceram a Raposa por 2x0 (gols de Heinrich e Zorc). Era o fim de um terrível pesadelo.
Pós o êxtase momentâneo, me veio a curiosidade sobre o time que me havia proporcionado tamanha felicidade, e até a vontade de a partir dali acompanhar aquele time como eu acompanho o próprio Atlético .
Feita a breve introdução, vamos a história desse gigante: O Borussia é uma das agremiações mais vitoriosas da Alemanha, conquistou 6 títulos Nacionais, 2 títulos Europeus – Uma UEFA Champions League e uma UEFA CUP –  e 4 Supercopas, a década de 90 nesse sentido foi especial para os alemães, principalmente o triênio 96/98, por razões óbvias, nesse período o Dortmund conquistou a Europa.  Porém a simbiose: estádio e torcida, é o bem que o clube mais deve se orgulhar.
O tradicional Westfalenstadion (A Ópera House doFutebol Alemão), atual Signal Iduna Arena, tem capacidade para 80.000 espectadores em jogos locais e de 65.000 para jogos internacionais, o Dortmund é campeão de média de público no futebol mundial com fantásticos 78.000 espectadores/jogo e um dos maiores espetáculos visuais vistos em um estádio de futebol, A Muralha Amarela, executada  por 25.000 expectadores de pé, formam uma parede na arquibancada sul. Canções e gritos de guerra são entoadas por todo jogo, alcançando uma vibração inigualável. Vitórias ali são conquistadas no grito, literalmente no grito.

Entretanto, pós a última conquista do campeonato alemão, na temporada 01/02, devido a péssimas administrações, o clube entrou em uma crise financeira sem precedentes. Assim, sem dinheiro para investir em grandes jogadores, o Dortmund ficou entregue a jovens promessas, a jogadores em fim de carreira, bem como jogadores de qualidade técnica duvidosa, muito pouco para competir com o poderio do Bayern de Munique e com a organização de Stuttgart, Bremen e dos rivais de Gelsenkirchen, o Schalke 04. Resultado disso foram quase 1 década de campanhas medianas, até com risco de rebaixamento. O gigante se apequenava.
No entanto, desde a chegada de Jürgen Klopp em Junho de 2008, o clube vem sendo recolocado nos trilhos, uma legião de europeus do leste, especialmente poloneses, legítimos ou descendentes,  o japonês Kagawa , o cirúrgico Lucas Barrios aliado a experiência do goleiro Weidenfeller e  do volante Sebastian Kell deram ao clube uma dinâmica incrível, uma velocidade difícil de se acompanhar que atualmente, temporada 2010/2011 , rendem aos amarelos a liderança da Bundesliga com mais de 10 pontos de frente para o segundo colocado, com destaque para a vitória acachapante (3x1) contra o Bayern de Munique em plena Allianz Arena.

Após a tempestade chega a bonança e uma das maiores camisas do futebol europeu volta com força total. O time que impediu uma das maiores tristezas de minha vida como torcedor, renasceu das cinzas e certamente, com o time que tem, com o atual planejamento de Klopp e principalmente, com a força das arquibancadas tem tudo para reconquistar a Alemanha, e até quem sabe, como diria o samba enredo: sonhar não custa nada, reconquistar o continente Europeu.
Ass. Matheus Valle

sexta-feira, 11 de março de 2011

Funeral


UM MINUTO DE SILÊNCIO, pois o futebol brasileiro acaba de falecer formalmente, a "revolução" implementada por Corínthians e companhia limitada foi executada com sucesso. A Rede Record abandonou a Licitação pelos direitos de transmissão do campeonato brasileiro, sendo assim, a Rede TV foi anunciada vencedora da licitação ao oferecer 516 milhões ano.

Se não houvesse a ruptura os valores alcançariam os 700 milhões ano, ou seja, quase 200 milhões de reais; juntamente com uma liga fortalecida se perderam por pura VAIDADE.

Com essa decisão o clube dos 13 implodirá de vez e o sonho de um campeonato independente ficará preso ao campo das idéias.

ass. Matheus Valle

terça-feira, 8 de março de 2011

Jogo do Dia (Arsenal e Barcelona). Yes We Can– O Vestibular Gunner

Nessa terça-feira de Carnaval, teremos um dos confrontos mais esperados dessa temporada: Arsenal e Barcelona, partida de volta pelas oitavas de final da UEFA Champions League. Na noite espanhola, fim de tarde aqui no Brasil, muito mais do que a classificação está em jogo principalmente para os Gunners, é uma questão de auto-afirmação. Desde o fim do ciclo do time invencível de Henry, Vieira, Pires, Gilberto Silva e Bergkamp, Arsene Wénger promoveu uma revolução, ao iniciar uma política de revelação de jogadores das categorias de base e contratação de jogadores jovens mas, muito talentosos. Jogadores do calibre de Cesc Fabregas, Theo Walcott e Samir Nascri, exemplificam bem o que tento dizer. Apesar da mudança da espinha dorsal, o futebol continuou o mesmo: ofensivo, de toques rápidos e insinuantes, características marcantes do técnico francês. Entretanto, tamanha juventude tem seu preço, o Arsenal tem se mostrado fraco em momentos decisivos, o time encanta, mas quando chega no momento crítico, os garotos negam fogo. Último exemplo foi derrota na decisão da última Carling Cup contra o modesto Birghminham (2x1).

Nessa terça feira, os londrinos têm pela frente nada mais nada menos que o poderoso Barcelona de Lionel Messi, clube que os destruiu no Camp Nou na última temporada com show do argentino, porém, dessa vez os Gunners tem uma vantagem mínima, podem jogar pelo empate.
Ambos os lados tem problemas, Barcelona vai para o jogo sem sua dupla de zaga titular, Puyol (machucado) e Piqué suspenso, desfalcam o time catalão enquanto no lado inglês, Cesc Fábregas e Van Persie voltam de contusão, ambos longe de sua forma física ideal. Me arrisco a dizer que apesar do mistério, o holandês fica no banco de reservas.
O Desenho do jogo é muito simples, Barcelona agredirá, e o Arsenal se utilizará da velocidade dos seus wingers e da perícia de seus meias em contra-ataques pontuais. Alguns duelos serão importantes, na ofensiva gunner: os laterais do barcelona, extremamente ofensivos terão que lidar com os velozes Nascri e Arshavin, duelo claramente favorável ao time londrino, enquanto a dupla de zaga, provavelmente formada por Busquets e Abidal (2 improvisações) terão que cuidar provavelmente do letal Chamark (para o blogueiro RVP começa do banco de reservas), outro ponto a ser explorado pelo time inglês, enfiadas pelo miolo de zaga. Já na criação, Keita ou Mascherano terão de se preocupar com Fábregas, porém, o hábil Wilshere avançará como elemento surpresa, obrigando Xavi ou Iniesta a se preocuparem um pouco com a marcação, que não é especialidade nem de um nem do outro.
Enquanto do lado da ofensiva catalã, a chave do jogo fica em como marcar os “imarcáveis “. Na última temporada José Mourinho e sua Inter deram a receita. Para parar o Barcelona duas peças tem que ser neutralizadas: Xavi e Messi. Wengér deve sufocar Xavi, o espanhol não pode ter espaço para articular as jogadas, uma marcação por zona/pressão em pacotes de três marcadores deve ser usada. Enquanto Lionel Messi, que flutuará pelo campo inteiro deve ter pelo menos um jogador em seu encalço e um na cobertura. Os dois laterais (Eboué ou Sagna e Clichy) mais o camaronês Song combaterão o Argentino mais frequentemente.
Ataque Arsenal
Provável Arsenal: Szcesny; Eboué(Sagna), Koscielny, Djorou e Clichy; Fábregas, Song, Nascri, Wilshere e Arshavin; Chamarck (Van Persie) 

Ataque Barcelona
Provável Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Busquets, Abidal e Maxwell (Adriano); Keita (Mascherano), Iniesta e Xavi; Pedro, Messi e Villa

Portanto, voltando ao início, para passar de fase o Arsenal deve vencer primeiro seus próprios fantasmas, pois qualidade, habilidade e perícia, o plantel inglês tem de sobra para desbancar o melhor time do mundo, e analisando friamente a provável disposição de ambos, o Arsenal pode sim surpreender em Pleno Camp Nou, passar por sua prova de fogo, seu vestibular e embalar rumo ao inédito título da Copa dos Campeões, assim como ganhar uma moral monstruosa para a fase final da Premier League.
Ass. Matheus Valle

sábado, 5 de março de 2011

Procura-se um Ídolo – O caso Diego Tardelli.



É natural da humanidade, buscar entidades a venerar. Desde a antiguidade fabricamos ídolos em série (Monstros, Heróis, Demônios, Deuses, entre outros): Grécia , Egito, índia, Roma, China , em todos os cantos do mundo.  Dessas entidades criadas e glorificadas pela humanidade destaca-se uma categoria em especial, o herói.  Aquele que em tempos de crise é chamado como salvação da pátria, a última esperança,  o guerreiro provido de carisma, coragem e bravura necessárias para enfrentar os perigos e eventualmente salvar a donzela (bem cliché, eu sei) . Séculos se passaram, devido a n fatores (assunto para várias reflexões), tal figura foi desaparecendo do imaginário popular, e atualmente, ficando restrita ao cinema, a literatura e ao esporte.
Com relação aos último, aquele em que essa relação de idolatria é elevada a décima potência sem sombra de dúvidas é o futebol, talvez pelo fato das torcidas identificarem suas agremiações como nações, logo, as mesmas necessitam de símbolos nacionais, ou simplesmente heróis/ídolos.
Na última sexta feira (04/03/2011), um fato e sua repercussão  para um grupo de torcedores, principalmente nas redes sociais (orkut, facebook e twitter principalmente) me chamou a atenção. Refiro-me a possível e iminente saída do atacante Diego Tardelli do Atlético para o futebol russo. 
O camisa 9 chegou a Belo Horizonte, em 2009,  pelas mãos do técnico Emerson Leão, em uma negociação um tanto quanto conturbada envolvendo o São Paulo e o Flamengo. Depois de um campeonato mineiro razoável, o jogador se consolidou no ataque alvinegro pelas mãos do técnico Celso Roth no Brasileiro do mesmo ano, se sagrando artilheiro da competição e principalmente, sendo um dos pilares na sólida campanha realizada pelo Atlético naquele ano (Fato um tanto quanto raro, na segunda metade da década).
Por conta de belos gols que consequentemente resultaram em vitórias, conquistadas  principalmente contra grandes rivais do Galo, acompanhados de sua comemoração característica (o atacante a cada gol marcado simulava os tiros de uma metralhadora, por conta do apelido dado ao mesmo pelo narrador Mário Henrique da Rádio Itatiaia),  Dom Diego caiu nas graças da torcida, e como um relâmpago foi içado ao mesmo patamar de Marques, Reinaldo e Dadá Maravilha, grandes artilheiros  que marcaram época na história do clube, verdadeiros ídolos da massa alvinegra.
Por incrível que pareça, apesar da empatia da torcida, nesse ano de 2011 o jogador começava a ser questionado, o mesmo não mostrava ao grande público o futebol que o consagrara há dois anos. Até que a mágica, mais conhecida como Clássico, aconteceu.  Nesse jogo especial, contra o maior rival – Cruzeiro – o atacante marcou 3 gols e decidiu o jogo em terreno inimigo, só com torcedores azuis. Tal atuação devolveu a confiança ao atacante, e principalmente  o jogador conseguiu trazer a torcida de volta ao seu lado.
O ídolo que estava se transformando em imprestável torna-se ídolo novamente após destruir o maior rival. Era Perseu voltando glorioso à Argos após decapitar a Medusa.
Retomando, duas semanas após o clássico, quando a negociação foi divulgada, um tsunami devastou a Massa (algo como meu “Meu Mundo Caiu”, canção imortalizada por Maísa), o presidente Alexandre Kalil se tornou responsável por tal perda, e de melhor presidente do Brasil, Rei, etc.. foi rebaixado ao patamar dos mais desprezíveis nessas redes sociais, no Orkut com mais destaque, foi linchado pela maioria dos atleticanos que frequentam a plataforma (principalmente nas comunidades mais movimentadas) , simplesmente fato do mesmo ter permitido a negociação da referência do time. Um cenário de tranquilidade, construído pelas belas apresentações do time de Dorival Júnior se transformou em turbulência pura, do Céu ao Inferno em menos de 24 horas.
Por mais passional que seja o torcedor, o mesmo tem que entender (ao menos tentar) que a vida é feita de ciclos, e o de Diego Tardelli no Atlético acaba de se encerrar.  O Galo sobreviveu à aposentadoria de Dadá Maravilha e de Reinaldo; sobreviveu a despedida de Marques. Com certeza sobreviverá a saída de Diego Tardelli.
Um ídolo se foi, mas, o clube PERMANECE.
Ass. Matheus Valle

sexta-feira, 4 de março de 2011

Més que un Club

* Texto escrito pelo grande amigo Gabriel Lopes (Betim), mais novo colaborador desse Blog e presença garantida em novas análises ludopédicas (como diria Chico Sá); com edição e editoração de imagens do Blogueiro.



Atentando ao recente post do amigo Matheus acerca do melhor time do mundo na atualidade, resolvi, ao meu bel prazer, tentar dissecar o esquema tático usado por Pepe Guardiola, herdado de Rinus Mitchell e aprimorado por Johann Cruyff.
O exercício é simples: montar o esquema básico estudar as posições e funções desempenhadas por cada jogador ao longo da peleja e as possíveis (na verdade, inúmeras) variações que se desenvolvem até o apito final. Portanto, de Victor Valdes a Messi, eis um breve estudo sobre o Barcelona que tanto encanta os entusiasmados amantes do futebol arte.
Victor Valdes, mais que um goleiro. É um goleiro contestadíssimo, diriam os mais engraçadinhos. No entanto, falhas e bolas defensáveis à parte, ele desempenha um papel importante no esquema ultra-ofensivo do Barça: é o goleiro-líbero. Quando a coisa aperta, bola pro Valdes que ele sabe jogar com os pés, é rápido para sair do gol e tem a tranquilidade e confiança suficientes para tocar a bola de lado, longe do alcance do esfomeado atacante que vem colocar pressão.
Daniel Alves, mais que um lateral. Correr, tocar, cruzar, chutar, driblar, tabelar e, se sobrar algum fôlego, marcar. Eis o papel cumprido pelo lateral- direito de Pepe Guardiola que, na verdade, atua mais como um ala. É através dele que o Barça tem suas melhores jogadas de linha-de-fundo, além de fazer a transição rápida e impensada (sim! um time precisa disso também) entre a zaga e a meia cancha.
Piqué e Puyol, mais que uma muralha. Os zagueiros do melhor time do mundo não poderiam ser zagueiros comuns. E não são. Além de cumprir a função de qualquer outra dupla de zaga quando o time é atacado, esses dois tem particularidades interessantes. Quando precisam sair jogando, tendem a abrir e jogar colados à linha, como laterais, enquanto os laterais avançam à linha de meio-campo. Esse simples fato faz com que o goleiro, ou seja lá quem esteja com a bola, tenha ao menos três opções de passe, seja um dos zagueiros abertos, seja os laterais avançados ou os volantes que voltam para buscar o jogo.
Abidal, Mais que um zagueiro pela esquerda.
Exatamente esse é o papel de Abidal. Nem só de ofensividade vive um time ofensivo. ele é o caroço da azeitona, por assim dizer. Cumpre, e muito bem, o papel de marcar, roubar a bola e tocar de lado para alguém mais qualificado. Além disso, oferece segurança na bola alta e rapidez na cobertura da zaga. Abidal é importante para o brilho dos demais.
Busquets, Mais que um faz tudo. Busquets marca bem, tem bom passe, carrega a bola de maneira aceitável, não é lento e é alto e forte. No frigir dos ovos, ele é um volante precioso no esquema do Barça, especialmente devido a sua consistência e inteligência tática. Pode funcionar como um cabeça de área à frente da zaga, ao mesmo tempo que auxilia na armação das jogadas para o ataque e libera Xavi, Iniesta e  Daniel Alves para ir à frente.
Xavi, mais que o centro da constelação. Dizer que o Barcelona é o Xavi talvez seja um exagero, mas não um absurdo. O camisa 6 é o arquiteto de todas as jogadas bem trabalhadas do time. Além de marcar com eficiência, é dotado de um passe curto inigualável, uma rapidez de raciocínio poucas vezes vista no futebol e um drible simples e eficiente. Resultado: Xavi não perde a bola, que fica sob seu domínio só um pouquinho, durante várias vezes ao longo do jogo. Xavi é a chave do time. É para ele que todos olham quando estão em apuros.

Iniesta: Mais que um meia habilidoso. Mobilidade, imprevisibilidade e versatilidade. Essas três características aliadas à sua habilidade fazem de Iniesta um dos três melhores jogadores do mundo segundo a Fifa. Ele pode atuar como segundo volante, como no início da carreira, como meia ou como extremo pela esquerda ou pela direita no esquema do Barça. Iniesta se movimenta por todo o campo. E tem a capacidade nata de conduzir a bola de maneira inteligente e eficaz que o faz semear pânico nos adversários. Iniesta é atordoante.
Messi, Mais que espetáculo. Ele é o melhor jogador do mundo. E parece não estar nem perto de perder esse título nos próximos anos. Messi é simplesmente fora de série, seja jogando aberto pela direita como antes, ou como um ponta-de-lança, como agora. Sua capacidade de inventar mágicas em duas polegadas quadradas deu a ele o álibi necessário para atuar onde ele se sentir melhor. E cada vez mais esse lugar é perto do gol e na premiação de melhor do mundo da Fifa.

Pedro, mais que correria. Pedro é incansável. Geralmente atua aberto pela direita, entrando em diagonal para a área à medida que Daniel Alves avança pela ala. No entanto, Pedro pode estar correndo pela centro no lance seguinte, invertendo com Messi. Ou pode estar no meio dando opção para Xavi. Sempre o veremos ajudando Daniel Alves na marcação e Villa na conclusão das jogadas. Na verdade ele pode estar na Jamaica ajudando Usain Bolt a treinar. É isso que ele faz: corre por todos os lugares ao mesmo tempo.
Villa, mais que faro de gol. Se David Villa já fazia muitos gols pelo Zaragoza atuando sozinho, talvez fizesse mais pelo Valencia com alguns bons jogadores ao seu lado. E fez. Mas talvez ele faça mais ainda pelo Barcelona, melhor time do mundo. E faz. Villa é rápido.
Mais que isso, ele finaliza muito bem, se posiciona muito bem e dribla muito bem, passa muito bem. Villa faz mais que "apenas" gols às pencas, ele faz parte do espetáculo. Coisa que o torcedor azul-grená gosta e que Ibrahimovic não conseguiu fazer.
Pepe Guardiola, mais que um técnico, um autêntico comandante. Guardiola formado e criado nas canteiras do Barcelona, mais do ninguém conhece a vocação azul-grená, o Ataque, foi jogador de Cruyff, conhece e transfere aos seus jogadores os ensinamentos do mestre. E o mais importante, não deixa seus jogadores se deslumbrarem facilmente com as glórias ao longo desses anos.

Barcelona, mais que o melhor time do mundo. O Barcelona se caracteriza por algo extremamente peculiar: não modifica seu estilo de jogo. É como se não importasse com quem está do outro lado da linha divisória antes do apito inicial. no entanto, eles aprenderam que a melhor maneira de respeitar o adversário é manter a seriedade durante os 90 minutos, mesmo que isso gere goleadas estrondosas, como o 5 a 1 sobre o Real Madrid nesta temporada. Sua defesa rápida, eficiente e boa de bola, seu meio campo inteligente e extremamente técnico e seu ataque carrossel são apenas características setoriais. O que faz do Barcelona o Barcelona é sua alma de futebol ofensivo, eficiente e plástico. É a alma de Johann Cruyff.
ass. Gabriel Lopes



quinta-feira, 3 de março de 2011

O TÉCNICO, O JUIZ E O BANDEIRINHA

*Crônica escrita pelo amigo e colega Paulinho Pavaneli, primeiro colaborador desse Blog, a ser publicada em seu novo livro: “Vagabundo é o cacete! – Sugestões para trabalhar honestamente evitando assim a tentação de entrar para o Crime Organizado ou para a Quadrilha do Colarinho Branco”. ((Escolha, Edição e Editoração de imagens feitas pelo blogueiro.))

Cena do Filme Boleiros 2.

Se não são profissões novas, alcançaram tal projeção que constituem um campo aberto de oportunidades de emprego, que não pode ser ignorado pelo pessoal que anda urrando por aí atrás de um trampo.
Não teriam sentido nenhum se não sofressem a vigilância do torcedor, esse fanático religioso capaz de atravessar o gramado de joelhos quando o seu time ganha o campeonato.
Desvario na vitória, desespero na derrota, esses são os limites do torcedor. Dinheiro contado, toneladas de esperanças, outras tantas de frustrações reprimidas. Prontas para transbordarem, conforme o desenrolar da peleja, principalmente quando a cor do pavilhão joga em casa, bem na sua frente.
O time precisa vencer ou vencer e joga na retranca. O técnico, aquele sem-vergonha, quer manter o emprego. Como qualquer mortal tem contas a pagar, acha que o empate é bom resultado. Calcula o ponto ganho, na verdade perde dois.
Folclórico Técnico Joel Santana.

O time precisa vencer ou vencer e joga pra frente. O técnico, aquele ordinário, acha que não tem adversário, esquece que sua zaga é uma bosta. Logo, logo, os homi engatam um contrataque mortal e pronto: 1 x 0 pra eles.
O time pode empatar e joga na retranca. O treinador, aquele ignorante, escala o time com 3 zagueiros, 3 cabeças-de-área, 2 alas recuados, um cara sem imaginação no meio-de-campo, o goleiro, aquele frangueiro descarado, e o centro-avante, Robinson Crusoé sem Sexta-Feira, enfiado entre os zagueiros adversários, a bola nunca que chega, quando chega vem quadrada. E aos 48 do segundo tempo um escanteio contra e aquele armário adversário salta sozinho no meio da zaga reforçada e mete de cabeça e 1 x 0 pra eles.
O time pode empatar e joga pra frente, o treinador, aquele desajustado, escala um time em que ninguém marca, ninguém tem o hábito de ir na bola dividida como se fosse um prato de comida, neguinho toca pro lado, faz firula, tico-tico-no-fubá, o ataque perde uma série incrível de gols feitos e, no contrataque, 1 x 0 pra eles.
A unanimidade é o técnico, o treinador, aquele sem-vergonha, ordinário, ignorante, desajustado, que veio ao mundo com a missão de errar quando escala, quando substitui, quando deixa de escalar, quando deixa de substituir, deixando no banco aquela promessa que fez três gols no apronto da sexta-feira, ou quando tira da reserva aquele come-e-dorme, ex-jogador em atividade, coroa que já devia ter pendurado as chuteiras.
O técnico, aquele arrogante que não ouve a torcida, só não ganha o troféu antipatia porque existe um habitante dentro das quatro linhas ainda mais desprezível... o juiz!
O juiz... é um infeliz. Único animal irracional obrigado a ter duas mães: a que deixa em casa em meio a orações e a que leva para o campo para ser xingada e vilipendiada.
Carlos Eugênio Simon, em sua última partida de Copa do Mundo

O machismo da torcida é tão forte que não faz a menor diferença quem é ou deixa de ser o pai do juiz, que nunca sai no jornal, nunca é procurado para entrevista, é um inútil.
Discute-se até, nas diversas galeras, se o juiz foi produzido pela tradicional conjunção entre aquele espermatozóide bêbado, que chegou na frente dos colegas empurrado quando souberam que o cara ia ser juiz de futebol quando crescesse, com aquele óvulo solitário doido para ser fecundado.
Se o juiz acerta é vaiado. Se erra, também. Se apita bem 89 minutos e erra no minuto final, coitado...
O pênalti é uma tortura.
A falta perto da área, um desespero.
O escanteio, um desassossego.
O impedimento, uma agonia...
O problema do juiz é parecido com o do jogador perna-de-pau, é a bola redonda que corre demais. Perdeu muito com a invenção do videoteipe, porque a dúvida que encobria o seu crime transforma-se em certeza quando o lance é repetido dos mais diversos ângulos e assim, sem álibi, é condenado de qualquer jeito.
Condenado pela sorte que deu quando, em lance duvidoso, resolveu marcar aquele pênalti que só foi confirmado quando repetido na televisão, mas... já tinha levado vaia, na hora, do torcedor que foi ao campo e que achou que não foi porque foi contra o seu time de coração.
Condenado pelo azar que deu, marcou errado na hora aquela falta discutível, levou a vaia no campo e durante a semana inteira sua mãezinha, aquela que ficou em casa rezando, foi achincalhada, o jogo acabou 3 a 2 mas parece que foi 33 a 22, de tanta repetição.
O juiz é um ser sem perdão. Não se sabe se dorme direito, ou se dorme. É um solitário carente de assistência psicológica vinte e quatro horas. Nunca pode realizar seu sonho de pegar na bola e dar um chute, então só lhe resta atrapalhar. Deve ser por isso que tem juiz que prefere apitar o fim do jogo quando a bola está perto dele, quando se aproxima do seu objeto de desejo, abraça-o, apita o fim da partida e leva a bola pra casa.
A outra sorte do juiz, além da segunda mãe, é a existência do bandeirinha, aquele espantador de muriçoca, que hoje ganhou a imponente denominação de assistente.
O Bandeirinha, anulando (equivocadamente) o momento maior do Futebol.

Tem hora que o bandeirinha usa seu instrumento de trabalho apenas para espantar o calor, o juiz olha e apita impedimento quando a bola ainda está no campo do time que se apossou da bola e não tinha nem um jogador seu no campo do adversário.
Perto da torcida, o bandeirinha ouve palavrões bem no cangote, coleciona garrafas para vender no dia seguinte, rádios de pilha para ouvir os comentaristas desancarem sua atuação, latas, pedras e outros objetos identificados que são lançados pela multidão doadora enfurecida e farão parte da sua coleção.
Esses três personagens, curiosamente, parecem de ficção. Você já encontrou algum ex-juiz, ex-bandeirinha, ex-treinador, num botequim? Eu também não.

ass. Paulo Pavaneli

quarta-feira, 2 de março de 2011

Quase uma Guerra nas Estrelas (Estrelando CBF, Rede Globo e Clube dos 13)

O rumo dessa história entre Clube dos 13, CBF e televisões (Globo e Record) é digno de George Lucas, célebre autor da série Star Wars. Poder, influência, dinheiro, mas muito dinheiro estão em jogo nessa saga. Vamos Começar do Começo, como diriam os mais velhos.
1987, Uma Nova Esperança – O Clube dos 13 nasceu de uma rebelião orquestrada por 13 agremiações no ano de 1987, uma forma de protesto contra os campeonatos inchados e extremamente onerosos que eram promovidos pela CBF. Resultado desse levante foi a Copa União, campeonato organizado pelos clubes, que arrecadaram há época cerca de 6 milhões de dólares que ajudaram a cobrir gastos com viagens e eventos, orçados em U$1.000.000, um dinheirão para época ( em tempos de inflação, Sarney e etc.. esses valores beiravam o absurdo, hoje em dia = a dinheiro de pinga.). O Flamengo sagrou-se campeão do torneio batendo o Atlético nas semi-finais e o Internacional na grande Final, era o quarto título do Rubro Negro, que devido a ruptura não foi devidamente reconhecido pela CBF, que por sua vez propunha uma final entre o Campeão da Copa União e o Campeão do Módulo Amarelo (campeonato composto por clubes da segunda divisão e organizado pela entidade) obviamente, os 13 grandes Clubes não aceitaram tal acordo e a CBF declarou o Sport Recife como campeão Brasileiro daquele ano.

De lá pra cá 24 anos se passaram, o Clube dos 13 deveria ser o embrião da tão sonhada Liga Nacional de Futebol, entretanto, devido à guerra de vaidades entre os presidentes e por pura ganância dos mesmos (todos queriam a maior fatia do bolo nos direitos televisivos), essa meta não saiu do plano das ideias e a entidade não passou de uma intermediária entre os clubes e a televisão (Rede Globo) na negociação dos direitos de imagem do campeonato brasileiro.
2010 – Abril. (Ameaça Fantasma) – Era a eleição do Clube dos 13, após 23 anos de fundação, a entidade estava em relativa crise havia agora uma chapa de oposição ao presidente Fábio Koff, encabeçada pelo ex-presidente do Flamengo Kléber Leite e curiosamente apoiada pela CBF. O objetivo principal desse grupo era simples, transformar o clube dos 13 em uma Liga e entrega-lo de mão beijada a Ricardo Teixeira. Mas por que tal interesse (Óh céus eu me Pergunto?)? A resposta para minha indagação era óbvia, o produto Campeonato Brasileiro que lá em 1987 valia 6 milhões de dólares, em 2010 era orçado em 500 milhões de reais, quem não quer um produto de 500 milhões (até eu que sou mais bobo). Desta feita, através de uma política suja de troca de favores Kleber Leite e a CBF foram angariando seguidores (Botafogo, Vasco, Coritiba e Goiás receberam empréstimos vultuosos da CBF nas vésperas da eleição e Andrés Sanchez – presidente do Corinthians –   foi chefe da delegação da seleção brasileira em diversas oportunidades). Do lado da situação, dois personagens se destacaram na tentativa de reeleger Fábio Koff: Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo e Patrícia Amorim presidenta do Flamengo, ambos foram peças fulcrais nas articulações e ajudaram Koff a se reeleger com 12 (São Paulo, Flamengo, Internacional, Atlético Mineiro, Atlético Paranaense, Grêmio, Palmeiras, Sport, Guarani, Atlético PR, Portuguesa, Bahia e Fluminense) votos a 8 de Kleber Leite (Botafogo, Corinthians, Coritiba, Goiás, Cruzeiro, Santos, Vasco e Vitória).
Maio, 2010 (O Império Contra-Ataca) – Logo após a eleição de Koff começou a ser articulado um dos maiores golpes da história do futebol brasileiro (isso mesmo que vocês ouviram: GOLPE!!!). Coincidência ou não, após a eleição chega uma mensagem da FIFA sobre o veto do Morumbi como sede da Copa do Mundo de 2014 alegando que o mesmo não tinha condições devido a garantias financeiras, espaço para estacionamento, entre outras desculpas esfarrapadas.  São Paulo teria que construir um novo estádio (outra coincidência, o Corinthians foi o premiado da vez e ganhará um estádio novinho em folha construído em grande parte com dinheiro do estado através de isenções fiscais), sendo que a cidade já conta, além do Morumbi, com o Pacaembu, o Palestra Itália e  o Canindé. Era Juvenal Juvêncio e o São Paulo sofrendo sua primeira retaliação. Pouco tempo depois a dona CBF toma uma decisão polêmica.  Em conjunto com a caixa econômica federal, proclama o São Paulo como Penta Campeão legítimo, logo guardião da Taça das Bolinhas (Premiação criada pela Caixa Econômica Federal, entregue ao primeiro clube a ganhar 5 campeonatos brasileiros). Tal decisão soa como uma provocação ao Flamengo há época rompeu relações com a CBF e com o próprio São Paulo, seu antigo aliado. Ou seja, a base do clube dos 13 foi estremecida.
Fevereiro, 2011 – O Império Contra-Ataca (Parte 2). Chega um momento decisivo, renovação do contrato dos direitos de imagem do Brasileirão, por determinação do CADE, a Rede Globo de televisão perdeu o monopólio e a licitação do campeonato que agora ocorrerá por livre concorrência, lance de mínimo de 500 milhões sendo que a empresa da família Marinho tem um ágio (extinto na última semana de 10%), ou seja, a TV concorrente, para levar os direitos teria que dar um lance mínimo de 600 milhões. Em uma negociação conjunta os clubes poderiam arrecadar nesse leilão cerca de 3 bilhões de reais por 3 anos de contrato, com preços diferenciados para diversas plataformas de comunicação. Estranhamente na véspera da abertura dos envelopes os 8 clubes que um ano atrás votaram em Kleber Leite, juntamente com Flamengo, Grêmio e Palmeiras anunciaram que negociarão separadamente com a televisão, medida totalmente favorável aos interesses da Globo e da CBF. Tal medida é claramente onerosa aos clubes, já que nem todos tem o apelo de Flamengo e Corinthians, os únicos capazes de arrecadar individualmente valores parecidos com o que os mesmos conseguiriam em uma negociação conjunta, por conta da força de ambas as torcidas.  

O resultado dessa história, é que o futebol Brasileiro corre o risco de parar ou até regredir no tempo. Colocar um cabresto e se entregar aos prazeres de Ricardo Teixeira e da Rede Globo de Televisão. Talvez esse seja um caminho sem volta, que nem Luke Skywalker e sua trupe de rebeldes seja capaz de resgatar.

The Song Remains The Same (A Canção Continua a Mesma)


Em um texto sobre o Liverpool e seu comandante Kenny Dalglish, seria mais adequada uma referencia a alguma canção dos Beatles, porém o título dessa obra prima do Led Zeppelin se encaixa melhor ao que tenho a escrever.
Bom, nessa temporada os Reds fazem uma campanha muito aquém de suas possibilidades,  ocupam o modesto 6º lugar da Premier League, todavia, se recuarmos até meados de outubro e novembro e relembrarmos a colocação da equipe sob o comando do técnico Roy Hodson (flutuava entre o 15º e o décimo 12º posto do campeonato inglês, correndo risco até de um possível rebaixamento), percebemos que algo especial vem acontecendo em Anfield Road. Esse toque mágico, a mudança de ares se deve única e exclusivamente a um só homem: Kenny Dalglish – ex-jogador, ex-técnico, lenda, uma divindade para o lado vermelho do Mersey – que por sua vez aceitou assumir interinamente o cargo de técnico do Liverpool.
Antes da atual revolução liderada por Kenny, cabe um pouco de história aos que não conhecem a grandeza desse nome. Em 20 anos de carreira, Kenny atuou por apenas 2 clubes: Glasgow Celtic de 1970 até 1977 e no Liverpool de 1977 até 1985,  como técnico o mesmo comandou os Reds de 1985 até 1991. Em seu Curriculum estão acumulados 4 títulos da primeira divisão escocesa e quatro títulos da Copa da Escócia; já em Merseyside  são seis títulos da Primeira Divisão Inglesa, 1 título da Copa da Inglaterra, 4 Copas da Liga, e 3 Copas dos Campeões Europeus; Como técnico o mesmo tem 3 títulos da primeira divisão pelo Liverpool e um título da Premier League pelo modesto Blackburn. Obviamente, percebe-se que não se trata de um nome qualquer.
 Voltemos a temporada 2010/2011, Kenny não tinha nenhuma obrigação de assumir esse problema, assumir um time desmotivado com uma de suas principais estrelas, o atacante Fernando Torres, forçando uma barra tremenda para deixar o clube, seu principal ícone  Steven Gerrard vem sofrendo com várias contusões;  principalmente tendo que lidar com jogadores de qualidade técnica extremamente duvidosa que não tem a mínima condição de defender uma camisa tão gloriosa.  Dalglish já conquistou tudo como jogador e como técnico, já tem seu nome cravado na história, não precisava dessa aventura. Mas enfim, guerreiros nasceram para guerrear, Kenny precisava disso, viver novamente a adrenalina de defender o clube que aprendeu a amar. 
 
Venhamos e convenhamos o mesmo já pode se considerar vitorioso nessa nova empreitada, o Liverpool perdeu seu ícone Fernando Torres para o rival Chelsea, porém Kenny com conhecimento de causa trouxe duas promessas: O Uruguaio Luiz Suárez – velocidade e habilidade atreladas a um faro de gol incrível – e Andy Carrol – um tanque de guerra, força física para derrubar qualquer zagueiro que estiver em sua frente, provavelmente será o comandante do ataque inglês nas próximas copas. O título da Liga está perdido, mas a sexta colocação pela conjuntura dos fatos é um lugar no mínimo honroso por conta do pífio primeiro turno; por fim, o plantel não é suficientemente qualificado para brigar pelas Copas restantes, talvez a camisa jogue, mas acho difícil. Mesmo assim Kenny devolveu aos Scousers o fogo que se adormeceu no final da passagem de Rafa Benítez e no completo fracasso de Roy Hodson.

Para não concluir, o SOM DAS GLÓRIAS E DAS CONQUISTAS CONTINUA O MESMO, e Kenny é a pessoa certa para faze-lo tocar novamente pelas bandas de Anfield.
ass. Matheus Valle

terça-feira, 1 de março de 2011

Incompreendido e Incompreensível


O velho ditado: de gênio e louco todo mundo tem um pouco, é uma verdade quase que incontestável no universo dos treinadores . Nesse último fim de semana, um episódio em especial me chamou a atenção. Refiro-me a demissão do técnico Adilson Batista após o empate contra o modesto São Bernardo pelo Paulistinha (peço licença ao grande Juca Kfouri para me apropriar do termo). Com apenas 2 meses de trabalho, e ao meu ver uma campanha no mínimo razoável (5 vitórias/5 empates/1 derrota), um aproveitamento de 60,5% dos pontos,  o técnico não resistiu a pressão da torcida que acabou colocando a diretoria santista na parede. Nesse contexto a seguinte questão aparece: Por que diabos o trabalho não deu certo?
Talvez a metodologia do técnico atelada á sua teimosia sejam as hipóteses mais confiáveis. Adilson é um técnico moderno na acepção da palavra, extremamente estudioso e versátil. Sua passagem pelo Cruzeiro e a forma como o qual o time celeste atuava sob sua batuta ajudam a entendê-lo de forma mais clara. Muitos maldosos aqui das Minas Gerais o rotulavam de retranqueiro/professor pardal/etc. Por conta do mesmo escalar seu time sempre com três volantes, além de fazer diversas improvisações, principalmente nas laterais. Porém, poucos entendem o conceito implantado pelo técnico. O meio de campo do Cruzeiro vice-campeão da Libertadores lembrava um losango, com Marquinhos Paraná na frente da defesa, Ramires e Fabrício fechando as laterais e o Wágner na outra ponta articulando as ações. Marquinhos Paraná, homem de confiança do técnico, exercia uma função diferente para o futebol brasileiro, não era um volante cabeça de área qualquer; era um autêntico Regista (função característica do futebol italiano, criada e difundida pelo saudoso Arrigo Sacchi, efetuada com maestria por Andrea Pirlo no Milan de Carlo Ancellotti e na Itália campeã de 2006), ou seja, o primeiro armador, o regente, aquele que organiza as ações. A saída de bola do time desde a chegada do Paraná se tornou extremamente eficaz, possibilitando aos velozes Ramires, Fabrício e Thiago Ribeiro acelerassem as ações o último terço do campo.  Apesar de boas campanhas tanto no Estadual quanto na Libertadores e no Brasileiro, devido a desgaste com torcida, diretoria e parte dos jogadores, o técnico deixou a  Toca da Raposa.
Cruzeiro versão 2010, com Henrique e Montillo ocupando as  vagas de Ramires e Wágner. Fonte: (http://globoesporte.globo.com/platb/olhotatico/2010/10/18/virada-gremista-teve-raca-sorte-tecnica-e-tatica/)

Em seguida surgiu uma oportunidade de ouro ao professor, o Corinthians – líder do campeonato brasileiro – ficara sem técnico devido a saída de Mano Menezes para Seleção. O time do Parque São Jorge era mais rígido; mais estático, seus volantes mais vigorosos do que brilhantes. Mesmo com a diferença de característica, Adilson tentou escalar o mesmo losango com Ralf na cabeça da área, Elias e Jucilei fechando as laterais e Danilo na outra ponta. Muito mais transpiração do que inspiração. O fracasso era questão de tempo, e com menos de 3 meses de trabalho o mesmo foi demitido.
Chega 2011, Adilson tem nas mãos (talvez) o melhor time do Brasil, com as estrelas Neymar, Paulo Henrique Ganso e Elano (titular da seleção brasileira na última Copa do Mundo). A princípio o mesmo não contava com as estrelas. Neymar defendia a seleção sub-20 e Ganso continuava em recuperação de sua contusão, entretanto o Santos tinha um estilo, mesmo sem as estrelas o time deveria ser escalado com três atacantes (Maikon Leite, Zé Eduardo e Keirrison ou Diogo), mesmo assim o técnico insistiu na sua convicção - 4-1-2-1-2 com três volantes. Possebom, Elano e Arouca com Róbson efetuando a ligação.  Empates e atuações burocráticas foram a mistura necessária para o gran finale da tragédia grega representada pelo treinador.
Adilson ao Final do Jogo contra o Santo André. Fonte:  Ag. Estado

Concluindo, o grande erro do Adilson foi insistir na mesma fórmula em duas agremiações com peças de características totalmente diferentes das utilizadas com sucesso no Cruzeiro. Agora Adilson deve parar um pouco, refletir, se reinventar, pois potencial e inteligência para brilhar o mesmo já provou que tem.